Seminário discute desenvolvimento territorial

Elaine Ramos

Desenvolvimento territorial: possibilidades de novos arranjos democráticos. Esse foi o tema de seminário promovido pelo Ibase e Furnas Centrais Elétricas, realizado entre os dias 29 e 30 de abril. Entre os(as) presentes estavam representantes comunitários, funcionários(as) da estatal, pesquisadores(as) e acadêmicos.

“Refletir sobre os limites e possibilidades do desenvolvimento territorial é, na realidade, aprofundar o debate em torno da incompletude democrática da sociedade brasileira e, consequentemente, buscar elementos de uma nova cultura política”, avalia Itamar Silva, coordenador do Ibase.

Um dos assuntos mais debatidos foi a importância do estímulo ao fortalecimento do desenvolvimento territorial. “Esse é o caminho para a transformação social e outros modos de vida. Será possível pensar em sustentabilidade sem protagonismo local?”, questiona Caio Silveira, da Expo Brasil de desenvolvimento.

A cultura política também foi bastante discutida. “A cultura do assistencialismo dificulta o avanço do desenvolvimento territorial. A discussão não é mais sobre a troca de favores por voto, e sim por projetos que levem à mudança”, diz a socióloga Tânia Zapata, diretora técnica do Instituto de Assessoria para o Desenvolvimento Humano (IADH).

Para o integrante da comunidade quilombola de Araçatiba, no Espírito Santo, José Fábio Coutinho, é importante que todos(as) se envolvam. “Noto que falta comprometimento pessoal. O que eu, como quilombola, posso fazer para mudar minha forma de viver? Poderíamos, por exemplo, mudar um pouco, repensar a forma de vida capitalista. Acredito que a questão do desenvolvimento está deturpada e contraditória.”

Moema Miranda, diretora do Ibase, reforça a fala de José Fábio. Segundo ela, é necessário atualizar o pensamento sobre desenvolvimento. “Não podemos continuar pensando o desenvolvimento como pensávamos em 1960. A forma como exploramos o mundo hoje é insustentável. Precisamos pensar em outras formas de estar no mundo, não voltadas tão fortemente para a necessidade de consumo”, argumenta.

O seminário contou com as seguintes palestras: “Limites e avanços do diálogo entre o poder público e atores sociais na implantação de políticas públicas em bases territoriais”; “Metodologias enquanto estratégias de apoio ao desenvolvimento local: abrem caminhos ou criam canais de dependência no território?”; e “Desenvolvimento (in)questionável? Um debate urgente”. O segundo dia foi reservado para o debate em grupo para estimular a participação das pessoas presentes. A partir das palestras e dos debates será lançada, até o segundo semestre deste ano, uma publicação sobre os temas abordados no seminário.

Publicado em 07/05/2010.



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*Leos*
e-mail: lelossantos@gmail.com
Inserido em: 2010-05-10 22:17:25

Muito bom, importante.....


*itamar*
itamar@ibase.br
Inserido em: 2010-05-12 13:52:05

Ótimo seminário. O Ibase está de parabéns.