Música erudita no sertão do Cariri
Da redação
Colaborou: Carlos Daniel da Costa

A segunda edição da Mostra Brasileira de Música Antiga, realizada pelo Instituto Atos entre 16 e 20 de abril em Araripe, a 562 km de Fortaleza, no sertão do Cariri, consolida-se como um movimento de intercâmbio entre músicos e pesquisadores(as) brasileiros(as) e estrangeiros(as). O objetivo é discutir e detectar as possíveis ligações do cancioneiro popular nordestino com a produção de música antiga na Europa até fins do século 19.

Com shows de renomados(as) artistas brasileiros(as) e mestres(as) em diferentes estilos como medieval, barroco e renascentista, a mostra tem mudado o cenário cultural de Araripe, município carente de movimentos culturais. Segundo Elisandro Carvalho, presidente do Instituto Atos e idealizador da mostra, a idéia é mobilizar de 15 a 20 mil pessoas durante o evento este ano. O dobro da edição anterior.

”Música antiga é a base de toda música existente até hoje. Essa música antiga, tão forte na Europa, referência na produção musical de europeus, está muito presente no Brasil por meio dos movimentos musicais do nordeste brasileiro. A mostra é o único evento nacional voltado para a produção em música antiga. Não há outro que reúna pesquisadores brasileiros em torno do tema”, orgulha-se Elisandro.

Música por toda a cidade

Quem for visitar a região para prestigiar o evento, vai encontrar atrações espalhadas pelo município. Os(as) artistas da música popular se apresentam na praça principal da cidade com múltiplas linguagens musicais como Jazz, Bossa Nova, Blues, Forró Pé de Serra, entre outros. Enquanto os de música erudita fazem apresentações na Igreja Matriz.

A mostra contará com artistas renomados(as). Entre eles(as) estão Hermeto Pascoal, Aline Morena e Sebastião Tapajós; os mestres na viola da gamba Kristina Augustin e Mário Orlando; as sopranos Marília Vargas e Silvana Scarinci; o grupo medieval Cantus Firmus, o duo Saga Barroca e o quarteto Zabaione Musicale, que apresentam obras de compositores até o século 18; o trio Sonare, especialista em guitarra barroca, teorba e viola da gambá; e o argentino Pablo Lerner, radicado em Budapeste, que traz um instrumento desconhecido de brasileiro(as), a viela de roda húngara.

Terra de grandes mestres da cultura popular, como o poeta Patativa do Assaré, a região apresenta uma musicalidade marcada por elementos de tradição oral, que influenciam cada vez mais novas gerações de músicos, artistas e aspirantes.
A idéia é fortalecer ainda mais esta tendência. Na edição anterior, foram realizadas oficinas com as crianças e adolescentes. Foram capacitadas 270 pessoas em Arte e Educação, Canto Coral, Percussão de ritmos brasileiros, literatura de Cordel e outros. Nesta mostra, a ênfase das oficinas será as aulas de canto, com dois expoentes da ópera brasileira, Marília Vargas e Silvana Scaranci, e o grupo de Florianópolis, Cantus Firmus.

“Direcionamos as oficinas para os grupos que trabalham com canto coral na cidade. A idéia é gerar conhecimento e preparar as pessoas locais, gerando um efeito multiplicador importante”, afirma Elisandro.

Publicado em 11/4/2008.


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