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JUVENTUDES DA AMÉRICA DO SUL: ORGANIZAÇÕES, DEMANDAS E POLÍTICAS
Patrícia Lânes Socióloga, pesquisadora do Ibase.
Como os(as) jovens sul-americanos(as) estão se organizando hoje? Quais são suas principais reivindicações? Elas estão sendo atendidas pela sociedade? Em 2007, Ibase e Instituto Pólis realizaram uma grande pesquisa na América do Sul buscando pistas que ajudassem a responder tais questões. Ao todo – e com a ajuda de uma rede de instituições no Brasil e nos outros cinco países pesquisados (Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai) –, foram estudadas 19 situações juvenis e ouvidas 960 pessoas, entre jovens e adultos. Com isso, foi possível conhecer diversos grupos juvenis que expressam demandas relacionadas, sobretudo, à educação, trabalho, circulação/transporte, cultura, segurança e meio-ambiente. Esses grupos vão desde sindicatos, partidos políticos e movimentos ambientais até organizações comunitárias e grupos culturais, como o hip hop e jovens participantes de projetos sociais.
O estudo revelou, também, as maneiras pelas quais essas demandas e reivindicações estão se tornando visíveis na sociedade. Os(as) jovens organizados(as) estão indo para as ruas se manifestar, participando de reuniões e assembléias e organizado atividades comunitárias. Tem muito(a) jovem sul-americano(a) usando rádios, jornais, panfletos e a Internet (por meio de blogs, listas de discussão etc.) para darem o seu recado e se mostrarem para o mundo. E isso é muito importante.
Além de demandas concretas, como educação pública e de qualidade, trabalho decente, direito de circular pelas cidades e pelo campo, acesso à cultura e à segurança e preservação ambiental, os(as) jovens também querem ser reconhecidos e valorizados. Estão cansados(as) de serem vistos por estereótipos e sabem que muitos destes (de jovem alienado(a), violento(a)/ perigoso(a), despreparado(a) etc.) fazem com que políticas públicas e ações criadas para a juventude não consigam responder aos problemas que enfrentam no seu dia-a-dia.
Nesse sentido, os(as) jovens organizados(as) que fizeram parte do estudo esperam que muitas de suas demandas sejam respondidas pelo poder público. Ao falarem de direitos, esperam que estes sejam garantidos pela sociedade, mas, sobretudo, pelos governos. E, também, reivindicam espaços de participação, seja dentro dos grupos, entidades e movimentos dos quais participam, seja nos espaços de formulação, execução e avaliação das políticas públicas.
Infelizmente, na avaliação dos(as) pesquisado-res(as) que participaram desse projeto, as políticas pensadas para os(as) jovens ainda dispõem de orçamentos limitados; têm problemas de desenho e de gestão; não garantem uma abordagem integral dos problemas que atingem os(as) jovens; quase nunca são articuladas entre si e faltam nelas espaços de participação para os(as) próprios(as) jovens.
Longe de ser uma avaliação pessimista do que há de políticas públicas para os(as) jovens na América do Sul hoje, esse quadro nos mostra que ainda há muito por que lutar. E há muitos jovens fazendo isso. Passar a encarar a questão da juventude de forma regional, ou seja, numa articulação entre povos, movimentos e nações do continente sul-americano, pode ser um caminho para contribuir para que nossas sociedades mudem esse cenário.
A CONFERÊNCIA VEM AÍ!
Uma outra maneira para conhecer demandas e bandeiras dos(as) jovens é nas conferências, um importante mecanismo de consulta do governo à população e instrumento de participação social. De 27 a 30 de abril, será realizada em Brasília a 1ª Conferência Nacional de Políticas Públicas de Juventude. Ela deve ser mais do que um evento em que jovens de todo o país se encontrarão para debater quais devem ser as prioridades das políticas públicas para a juventude. Por isso, iniciou-se no fim de 2007 um processo de pré-conferências, conferências livres, municipais e estaduais que devem envolver o maior número de jovens possível, organizados em movimento ou não, para darem sua opinião sobre o assunto. Afinal, são quem sabem melhor do que ninguém o que pode melhorar em suas vidas! No fim de março, de 28 a 30, vai ocorrer a Conferência Estadual de Políticas Públicas de Juventude, no Rio de Janeiro. Se você quer ficar por dentro desse assunto, é só dar uma olhada nas páginas eletrônicas <www.conferenciadejuventude.wordpress.com> e <www.juventude.gov.br >. Nelas você encontrará informações sobre o que está sendo discutido, quando e onde os encontros vão se realizar e como participar. Certamente, você também tem demandas e bandeiras para compartilhar!
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