Direitos humanos e diversidade em cena

Da redação
Colaboração: Carlos Daniel da Costa e David Silva

O Circo Voador, no Rio de Janeiro, foi palco de mais uma mobilização do Rio Com Vida. Desta vez, a data escolhida –10 de dezembro– comemorou o Dia Internacional dos Direitos Humanos, com dezenas de atividades culturais. Cerca de 500 pessoas de entidades da sociedade civil, movimentos sociais, comunidades e artistas estiveram presentes ao evento.

O Rio Com Vida traduz a participação carioca ao Dia de Mobilização e Ação Global, que vai ocorrer em 26 de janeiro, em várias capitais do Brasil e de outros países. E esse foi o último evento preparatório na cidade. Em vez de um encontro único da sociedade civil, como vem ocorrendo desde a primeira edição do Fórum Social Mundial (FSM), em 2008, espera-se que ativistas de todo o mundo se apropriem dos ideais do FSM e criem suas próprias maneiras de marcar o dia, favorecendo o debate de questões regionais.

“Decidimos dar visibilidade às iniciativas locais porque o Fórum ficou muito marcado como evento mundial e, na verdade, é uma forma de reunir os diversos para pensar e acreditar que outro mundo é possível. A idéia é destacar iniciativas que, muitas vezes, não ficam tão visíveis no Fórum, como a cultura. Isso é um teste para nós mesmos porque, provavelmente, vamos expandi-lo”, afirma Cândido Grzybowski, diretor do Ibase e integrante do Comitê Internacional do FSM.

Segundo Luiz Mario Behnken, representante do Fórum Popular do Orçamento do Rio de Janeiro e do Comitê Rio do FSM, responsável pela organização do evento, “a idéia com esse evento é justamente possibilitar o encontro das diversas utopias do movimento social”.

Para o representante do movimento Humanos Direitos, Bruno Catonni, mesmo com as dificuldades de reunir os movimentos sociais em prol de um tema tão complexo, o evento foi positivo e contribuiu para a discussão sobre os direitos humanos no Rio de Janeiro.

“Não existe costume no movimento social de união das minorias, de juntar as propostas, as lutas e as vítimas do desrespeito aos direitos humanos. É difícil até para as entidades se conjugarem em nome de um ideal só. É claro que existem muitos ideais, mas é importante que uma ajude a outra, com sua experiência. Cada segmento faz um movimento diferente e, quem sabe, juntos conseguem transformar o movimento social em algo mais consistente”, diz.

A programação foi recheada de atividades como: feira de trocas, oficina de economia solidária; apresentações teatrais e musicais; declamação de poemas por ex-presidiários; leitura da Declaração Universal dos Direitos Humanos e apresentação de vídeos de 1 minuto sobre o Fórum Social Mundial. Incluiu, também, um momento religioso, com o padre Renato, conhecido como Padre das Ruas, que há 30 anos luta pelos direitos universais. Além disso, foi realizado o debate “Quanto valem os direitos humanos?”, com participação do senador Saturnino Braga, do pesquisador Marcelo Paixão, do ator Milton Gonçalves e do padre Ricardo Resende, com mediação da atriz Beth Mendes.

Para encerrar a noite, shows de Tico Santa Cruz e Voluntários da Pátria, Afoxé Raízes Africanas, Nação Maré, com Mc BOM, Leroy e Jeff, Dacal Reggae Forró de Chico Salles e Caboclão da Paraíba deram uma mostra da diversidade cultural brasileira.

Mais informações sobre o Rio Com Vida em:
www.riocomvida.org.br


Publicado em: 14/12/2007.



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