O Fórum Social Mundial 2007, que acontece de 20 a 25 de janeiro, em Nairóbi, no Quênia, contará com a presença de cinco representantes de organizações comunitárias do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. A possibilidade de participação de brasileiros(as) de baixa renda no processo fórum tem sido maior graças ao Fundo de Solidariedade, uma iniciativa que, há várias edições, cobre as despesas com transporte, hospedagem e alimentação dos(das) selecionados(as).
O Fundo de Solidariedade é resultado de doações voluntárias de funcionários e funcionárias do Ibase que, de acordo com suas possibilidades, reservaram uma porcentagem dos salários para a causa. “Sozinha nunca teria chance de ir à África. Se não houvesse o interesse dos funcionários em tornar isso realidade, jamais participaria de um evento tão importante. A expectativa é enorme”, conta Glória Kristina dos Santos, integrante da Associação de Catadores de Jardim Gramacho e do Fórum Comunitário de Jardim Gramacho.
Como critério, os(as) beneficiados(as) deveriam participar de movimentos sociais comunitários que tivessem articulação com o Ibase. Além de Glória Kristina, foram selecionados(as) para ir ao fórum de Nairóbi: Cleonice Dias de Almeida, do Comitê Comunitário da Cidade de Deus; Mônica Santos Francisco, da Agenda Social Rio e Arteiras; Jane Aparecida Coutinho, do Fórum Comunitário de Araçatiba – Comunidade Quilombola do ES; e Wallace da Conceição, do Fórum Comunitário de Retiro – Comunidade Quilombola do ES. Cerca de 100 mil pessoas são esperadas em Nairóbi. Dentre as quais cerca de 400 brasileiros(as). Mônica Santos Francisco, da comunidade Morro do Borel, fala sobre a relevância do Fundo de Solidariedade. “Foi importantíssimo, afinal, sem ele não teríamos a oportunidade de atuar como agentes mobilizadores, de trocar experiências e participar de um evento tão grandioso. Principalmente para quem trabalha em favelas, é uma grande chance de conhecer pessoas e instituições”, anima-se. Em pesquisa realizada pelo Ibase, durante o Fórum da Venezuela e em Mali, em 2006, foi revelado um perfil bastante elitizado de participantes.
Na Venezuela, por exemplo, 79,4% cursavam ou haviam concluído o curso universitário. Situação semelhante a de Mali, onde eram 72,4%. Segundo Nahyda França, pesquisadora do Ibase, a intenção do fundo é justamente contribuir para uma maior participação popular no processo FSM. “Muitas das questões debatidas no Fórum dizem respeito a uma parcela da população que, por questões financeiras, acaba não podendo participar do processo. Queremos ajudar a reverter isso”, explica.
Publicado em 19/1/2007.

