A personalidade e o histórico

O pai de Odinga era um apaixonado opositor do colonialismo, da exploração, e possuía um tal carisma que logo foi nomeado vice-presidente, após a independência do Quênia. O pai de Odinga era antiimperialista. Durante a luta pela independência, combateu o sistema econômico baseado na exploração que os colonialistas haviam instalado no país. O governo colonial o acusou de comunista, ao que ele retrucou: “O comunismo é como um alimento para mim”. E logo estabeleceu elos fraternais entre o movimento nacionalista do Quênia e o então bloco socialista. Com isso, muitos quenianos foram beneficiados com bolsas de estudos. Entre esses estudantes estava Raila Odinga, que estudou Engenharia Mecânica.ica na antiga República Democrática Alemã.

Mas Raila Odinga já começara a traçar o seu próprio caminho desde muito cedo. Quando estudava na Alemanha Oriental, tomou a iniciativa de estabelecer ali um escritório internacional de oposição chamado União dos Povos do Quênia (KPU), entidade de tendências de esquerda fundada pelos nacionalistas progressistas liderados por seu pai.

Posteriormente, se envolveria em inúmeras iniciativas políticas clandestinas, como a recém-fundada Aliança Socialista Africana do Quênia – essa iniciativa fez com que Moi se apressasse em enviar um projeto de lei ao Parlamento para transformar o Quênia em um estado unipartidário legal.

Muitos quenianos, entretanto, só vieram a conhecer o nome de Raila por ocasião de sua prisão, após um golpe militar fracassado contra o governo de Moi, quando foi acusado de traição. As acusações foram retiradas seis meses depois, por falta de provas, mas Moi insistiu em encarcerar Odinga sem julgamento. Ele permaneceu atrás das grades por cerca de seis anos, antes de ser libertado e novamente detido apenas seis meses depois. No total, Odinga permaneceu preso durante nove anos, sem qualquer julgamento, e ainda passou algum tempo em exílio político.

Incapaz de conter Odinga, Moi procurou juntar-se a ele em uma iniciativa de aproximação que culminou com a indicação de Odinga para secretário geral da então União Nacional Africana do Quênia (Kanu), chefiada por Moi.

Seis meses depois, Odinga deixava o partido, levando com ele a maioria de seus membros. Dali por diante, a Kanu transformou-se em um esqueleto, e assim permanece até hoje. Odinga, então, uniu-se a Kibaki, na época líder da oposição, defendendo uma plataforma de mudanças que acabou levando a Kanu a uma humilhante derrota eleitoral. Mas as mudanças pretendidas nunca ocorreram, e três anos após, Odinga já havia mobilizado os quenianos e derrotou Kibaki em um referendo para votar uma nova constituição.

Parte do texto Classes e parentescos nos campos da morte do Quênia de Oduor Ong’wen.