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disputas Foi no Vale da Fenda que os colonos ingleses se apropriaram de grandes extensões de terra pertencentes aos indígenas quenianos (pagando a irrisória quantia de 20 centavos por hectare, mas não para os proprietários). Foi no Vale da Fenda que a comunidade dos Maasai foi ludibriada, ao ser induzida a firmar um contrato de 100 anos com os ingleses, em 1904, e cujos representantes não conseguiram sequer ser recebidos em audiência pelo governo Kibaki (que sucedeu a administração colonial), em 2004, quando o acordo se extinguiu. Foi no Vale da Fenda que os Pokot foram arrancados à força de sua terra comunal.
À medida que a luta pela independência prosseguia e que o domínio colonial parecia fadado a se transformar em simples e triste capítulo da história, uma nova classe dominante com interesses na propriedade de terras foi rapidamente recrutada entre os "colaboradores" africanos. Com a ajuda do Estado Colonial, a nova burguesia recebeu títulos de propriedade e logo ocupou terras pertencentes a comunidades inteiras – que foram reunidas em campos de detenção e vilarejos de concentração.
Com a independência, os novos dirigentes, para evitar as reivindicações sobre essas terras, idealizaram um esquema para estabelecer os novos sem-terra em antigas áreas de assentamento (que lhes foram arrancadas traiçoeiramente ou pela força). Isso levou à rejeição de grandes contingentes da população Kikuiu, do Quênia Central, entre os Nandi, Maasai, Pokot e outras comunidades estabelecidas no Vale da Fenda.
Dali por diante, essa área se transformou em um barril de pólvora, e essa explosão não é a primeira. Já em 1960 as disputas sobre a terra no Vale da Fenda haviam ameaçado a unidade do Quênia, quando um antigo legislador, Jean Marie Seroney, sacudiu o país com o que ele chamou de Declaração de Nandi, advogando a autonomia da região e a expulsão dos "estrangeiros". Outras sérias disputas de terras ocorreram em 1991 e 1992 em resposta aos clamores pela reintrodução da política pluralista de 1997 e 1998. Ocorreram também escaramuças ligadas à questão fundiária na costa do país, embora a história seja ali diferente daquela do Vale da Fenda.
Parte do texto Classes e parentescos nos campos da morte do Quênia de Oduor Ong’wen.
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